Texto originalmente publicado em agosto de 2006 no blog Kinoforum Crítica Curta.
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DIÁLOGOS PRÓXIMOS
Em 2005, Kleber Mendonça Filho caiu nas graças da crítica e faturou prêmios e elogios com seu filme “Eletrodomésticas”. A dona de casa controlada por uma rotina envolta em máquinas de todo tipo fundia-se aos eletrodomésticos de sua casa no filme de dois anos atrás. Esse ano seu novo curta “Noite de sexta, manhã de sábado” também vêm impressionando. A sala lotada da sessão “Panorama Brasil 1” arrancou aplausos do público. Após a sessão, o diretor ainda respondeu perguntas da platéia sobre as filmagens do curta.
Trata-se de uma história bem construída entre dois personagens distantes. Ele está em Recife e ela na Ucrânia. Os dois buscam uma forma de entrar em contato um com o outro, e a conversa dos dois por telefone vai revelando um diálogo delicado sobre o casal sem pormenorizar a questão que os separa. A forte união dos dois vai sendo construída a partir de elementos visuais tais como o sol e o mar. O mesmo sol e o mesmo mar vistos do outro lado do mundo, a mesma água que toca os dois países, a mesma luz que pode ser vista de todos os cantos do planeta. A sensação dos pés tocando a areia e as lembranças de quando estiveram juntos. O diálogo constrói a história desses dois personagens que tentam uma proximidade momentânea frente a distância física que os separa.
A restrição do tempo imposta pelo curta não impossibilitou o diretor de alongar conversas, esticar o tempo. O filme flui em seus diálogos. A câmera na mão da a imprecisão certa diante da precisão da conversa dos personagens. Tudo com muita simplicidade.