Texto publicado originalmente em agosto de 2006 no blog Kinoforum Crítica Curta.
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UM RESPIRO ENTRE AS ANIMAÇÕES
Confesso que ando tendo resistência em assistir às animações do festival. Percebo na maioria dos filmes uma dissonância entre a idéia e a técnica. Modos cada vez mais inventivos e visualmente deslumbrantes aliados a idéias fracas. Mais do que isso, vejo que falta diálogo entre a proposta e a realização do filme. O roteiro acaba ficando em segundo plano, coadjuvante perante um show de trucagens e efeitos especiais.
Meu respiro veio justamente com “Tyger”, de Guilherme Marcondes. O filme realmente derrubou o preconceito que venho tendo em relação à animação. As técnicas utilizadas são totalmente coerentes com a proposta. A história, muito simples por sinal, ganha importância exatamente pelo deslumbre e refinamento da técnica utilizada. O tigre gigante que percorre a cidade atua como símbolo de opressão, de imposição, levando os habitantes da megalópole São Paulo a uma volta à sua condição primitiva, animal.
Esse grande tigre cabe como metáfora de tudo aquilo que possa coagir, de tudo aquilo que se teme. Em tempos nos quais um tom intimista e melancólico impera em produções tanto nacionais quanto internacionais, “Tyger” vai pelo caminho contrário, ousando ser, além de reflexivo, enérgico.